O CANTO DA SIBILA

canto-da-sibila

[PT] Seguindo o repto do Município de Idanha-a-Nova, local ancestral onde coexiste tradição, inovação e contemporaneidade, o Ensemble Med propõe uma residência artística de criação com a perspética histórica interpretativa de Maurício Molina (Curso Medieval de Besalu / City University of New York) e o músico José Alberto Gomes (Sonoscopia / Porto), propondo um novo olhar sobre a obra medieval O Canto da Sibila, na tradição das sibilas, mulheres oraculares e que profetizam o futuro. O texto em latim “Judicii Signum: tellus sudore madescet”, ficou conhecido pelas palavras de Aurelius Augustinus Hipponensis, mais conhecido como Santo Agostinho, na sua obra De Civitate Dei (A Cidade de Deus), do séc. V d.C, que retrata a profecia da sibila Eritreia, proveniente da Ásia menor e que augura o fim dos tempos e o apocalipse. A residência artística de criação teve lugar de 4 a 7 de novembro 2020 na Igreja Matriz de Monsanto, Monsanto, Idanha-a-Nova, no âmbito de ENCONTROS / ENCUENTROS / INCONTRI MED [mediterrâneo/medieval] MONSANTO 2020, onde foi apresentada via streaming, pelas Aldeias Históricas de Portugal.

[EN] Following the challenge of the Municipality of Idanha-a-Nova, Portugal, an ancestral place where tradition, innovation and contemporaneity coexist, the Ensemble Med proposes an artistic residence of creation with the historical interpretative perspective of Maurício Molina (Medieval Course of Besalu / City University of New York) and the musician José Alberto Gomes (Sonoscopia / Porto), proposing a new look on the medieval repertory named “The Song of the Sibyl”, in the tradition of the sibyls, oracular women who prophesy the future.

The Latin text "Judicii Signum: tellus sudore madescet", became known through the words of Aurelius Augustinus Hipponensis, better known as Saint Augustine, in his 5th century AD work De Civitate Dei (The City of God), which portrays the prophecy of the Eritrean sibyl, who comes from Asia Minor and predicts the end of times and the apocalypse.

The artistic residency of creation took place from the 4th to the 7th of November 2020 in the Main Church of Monsanto, Idanha-a-Nova, within ENCONTROS / ENCUENTROS / INCONTRI MED [Mediterranean/medieval] MONSANTO 2020, being presented via streaming, by the Historical Villages of Portugal.

Ensemble Med & Convidados
Igreja Matriz de Monsanto


Daniela Tomaz
: direção artística, flautas & adufe
Maurício Molina: direção musical/investigação e percussão histórica
Mariana Fabião: voz
Carme Juncadella: organetto
José Alberto Gomes: eletrónica

Programa

 

I

 

Nembresette”,
Cantiga Santa Maria (CSM) 421, Alfonso X
(instrumental)

 

Flavit auster flatu”,
Codex Las Huelgas, f.45r-46v
(instrumental)

 

“Judicii Signum”
Lectionnaire d’Aniane et de Gellone, séc. XII

 

II

 

Dies Irae”, séc. XIII/José Alberto Gomes 2020
Estreia composição para eletrónica sobre cantus firmus medieval

 

III

 

Ondas do mar de Vigo”
Martim Codax, in Pergaminho Vindel, séc. XIII
(instrumental)

 

Mia irmana fremosa treydes comigo”
ibidem

 

“Quantas sabedes amar amigo”
ibidem

 

Madre de Deus, ora”
Cantiga Santa Maria (CSM) 422, Alfonso X

Convidados Ensemble Med

Mauricio-Molina

MAURÍCIO MOLINA | Investigação, percussão e direção musical
Maurício Molina é um musicólogo e intérprete dedicado à reconstrução e interpretação da música dos séculos XI, XII e XIII. É Mestre em Interpretação Histórica de Mannes College of Music (New York) e Doutorado em Musicologia Histórica na City University of New York Graduate Center. É professor convidado no Centre International de Musiques Médiévales – Université Paul Valéry de Montpellier e professor de Cultura Medieval Islâmica e Antropologia Musical e Iconografia Medieval no consórcio universitário norte-americano IES Abroad Barcelona.

Em 2010 publicou “Frame Drum in the Medieval Iberian Peninsula” (Reichenberger), livro que foi galardoado com o prémio Nicholas Besseraboff da American Musical Instrument Society como o mais distinto em organologia de 2010. O seu próximo livro “La canción monofónica secular y religiosa en el Occidente medieval (850-1200)” será publicado pela editorial Dairea em 2018. Maurício é também diretor dos grupos de música medieval Magister Petrus, Ars Memorie e do Curso Internacional de Interpretación de Música Medieval de Besalú (Catalunha).

jose-alberto-gomes

JOSÉ ALBERTO GOMES | eletrónica
Nasceu no Porto em 1983. José Alberto Gomes é um músico, artista sonoro e investigador do Porto. Licenciado em Composição, criou laços muito fortes com as novas possibilidades tecnológicas e o papel da música no teatro, cinema, instalações e electrónica na improvisação, tendo especial interesse em procurar novas formas e novos “lugares“ musicais.

Doutorado em Computer Music pela Universidade Católica Portuguesa com a tese Composing with Soundscapes - Capturing and Analysing Urban Audio for a Raw Musical Interpretation, é actualmente docente na Universidade de Aberta e na Escola de Artes - UCP, nas áreas da Arte Digital, Som e Música por Computador.

Foi curador do projecto Digitópia Casa da Música de 2013 a 2018 e programador do projeto educativo Circuito - Braga Media Arts, cidade criativa da UNESCO, nos anos lectivos de 2018 a 2020.
Mantém uma actividade próxima com a música enquanto performer, compositor, maestro e artista sonoro tendo trabalhado com instituições e agrupamentos como Remix Ensemble Casa da Música, Orquestra Metropolitana de Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian, FITEI, Journées Européennes du Patrimoine, Fundação de Serralves, Teatro Oficina, TEP, Sonoscopia, Walk&Talk, Hong Kong New Music Ensemble, entre outros. Apresenta-se regularmente em projetos a solo, coletivos ou em parcerias (BlacKoyote, Digitópia Collective, Srosh Ensemble, Hans-Joachim Roedelius, Gustavo Costa, Ricardo Jacinto, Henrique Portovedo, Jon Rose), nas áreas de música e sonoplastia para peças de teatro, vídeo e cinema (From Peter Handke’s Essay about the Successful Day - Teatro da Comuna; Longe - FITEI/Rivoli; Cidade Domingo - Teatro Oficina/Guimarães 2012; Prometeu - Teatro de Formas Animadas; Ínsua - Ruptura Silenciosa), como criador de instalações sonoras (A Perpetuação do tempo sob o presente - Journées Européennes du Patrimoine; Re-Interpretação Urbana - Fundação de Serralves, Substantive Derivative - Emiliano Zelada/Ingresso Pericoloso) e como compositor para electrónica e ensemble instrumental, (Remix Ensemble, Drumming, Nuno Aroso, João Dias, Henrique Portovedo, FactorE, Srosh Ensemble, Orquestra Estúdio).
http://www.jasg.net